O MERCADO DAS BIOFARMACÊUTICAS

Também conhecido (ou mais conhecido) como Delirium, a Síndrome do Teto Branco caracteriza-se por um estado de confusão mental do paciente e é mais comum no paciente da Unidade de Terapia Intensiva. O problema atinge quase um terço dos pacientes de UTI. Os sintomas estão associados a dificuldade de raciocínio, agitação, comportamento agressivo e alucinações. Segundo as mesmas fontes, apesar de comum, parece ser pouco conhecida pelas equipes dos hospitais.

O tema me chamou atenção quando, em sala de aula, neste ano, ministrava a Disciplina de Planejamento do Espaço Físico dos Hospitais, em um curso de Pós-Graduação de Gestão da Saúde. A aluna – uma enfermeira – abordou o tema quando debatíamos melhores práticas nos leitos. Casos como pacientes que alegam alucinações com animais silvestres no forro e até alucinações de assédio ocorrem quando o ambiente fechado e extremamente controlado da UTI revela-se atormentador.

Estudos conduzidos por pesquisadores brasileiros (IDOR), em parceria com a Universidade Johns Hopkins, apontam que o tema se torna mais crítico ao se averiguar que a ocorrência dessa síndrome mais do que dobra o risco de morte no período de internação. Ainda segundo o estudo, pacientes que portaram a síndrome apresentaram um índice de mortalidade 2,19 vezes maior.

As causas são pouco conhecidas. Os estudos ainda não foram totalmente conclusivos. Equipes assistências que atuam diretamente na UTI listam alguns fatores, como infecções graves, alterações agudas no funcionamento de órgãos e uso excessivos de certos sedativos.

O ponto chave para nós, planejadores do espaço físico, está na fala das equipes que dizem que “precisam orientar o paciente, a todo momento, informando que dia é, horário e local onde estão.” Essa questão levantada pelas equipes de saúde se manifesta de maneira cada vez mais frequente – sempre que visito uma UTI que não possui iluminação natural.

A Iluminação Natural (como todos nós estamos “carecas de saber”) é importantíssima para o paciente. Quando falamos em iluminação natural no espaço estamos tratando do Ciclo Circadiano, que baseia nosso ciclo biológico, influenciado, principalmente, pela variação de luz solar. O ritmo circadiano regula muitos dos ritmos psicológicos do corpo humano. Pacientes de Internação – especialmente de Internação de Terapia Intensiva – devem ter acesso à iluminação natural, mesmo que em estado não consciente. Outras questões podem estar envolvidas no surgimento da síndrome, nas quais a Arquitetura pode estar associada – como o próprio nome já diz. A cor branca é associada à monotonia e é muita utilizada em UTI por representar o aspecto de limpeza e assepsia. Literaturas que abordam o estudo das cores e seus efeitos apontam que o excesso de branco pode deixar o ser humano agitado e nervoso e, como consequência, pode promover ansiedade, estresse e explosões emocionais.

Cedo para afirmar as causas e consequências do Delirium, fica em nós a reflexão e a lição, principalmente, da importância da Iluminação Natural dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde.

Ana Cabral, MsC - Diretora BUILD HEALTH

Fonte: G1 - Bem Estar (https://glo.bo/2ulZcuR)

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